COMO PROJETAR LÂMINAS MELHORES NA CUTELARIA ARTESANAL

Quando falamos em produzir facas artesanais, falamos também de infinitas possibilidades diferentes de lâminas, cabos e acabamentos, onde a única limitação é a imaginação do cuteleiro.

No entanto, é preciso conhecer os formatos adequados para cada categoria de lâmina e reconhecer as características que fazem com que uma faca pertença a uma categoria ou outra, para garantir que ela tenha o conforto e a funcionalidade adequados para seu uso.

Aqui no blog já falamos sobre a anatomia das facas e sobre a geometria de lâminas, que ajudam a conhecer mais sobre a estrutura de uma faca. Agora, falaremos de algumas características que devem sempre ser consideradas e analisadas, pois afetam drasticamente o desempenho da lâmina.

ESPESSURA DA LÂMINA

As primeiras coisas a se pensar ao começar a projetar uma faca artesanal, são qual será o tamanho da faca e para o que ela será usada, para em seguida, escolher uma espessura de aço apropriada para essa faca. O motivo disso é que a espessura do aço afeta diretamente na força da lâmina.

Por isso, uma lâmina mais grossa fortalece a faca para que ela suporte mais impacto, deixando-a também mais pesada, enquanto uma lâmina mais fina deixa a faca mais leve e fácil de manobrar, porém mais frágil.

ESPESSURA DO FIO

Assim como a espessura da lâmina, a espessura do fio também é uma definição importante para projetar suas facas artesanais.

>>> Confira também o nosso post sobre os tipos de desbaste de lâminas <<<

Por exemplo, embora o um fio mais espesso seja mais eficiente para suportar impacto e desgaste ao fatiar materiais mais resistentes, ela não será tão afiada quanto uma faca com o fio mais fino.

Dessa forma, podemos observar que geralmente fios grossos são mais utilizados em facas para serviços pesados e que precisam de impacto, como é o caso de machados e cutelos. Enquanto arestas mais finas e definidas são utilizadas em facas que precisam de precisão e corte, como é o caso de navalhas e facas de cozinha.

RICASSO

O Ricasso é a seção plana da lâmina entre o bisel e o cabo da faca. Seu comprimento afeta diretamente no desempenho da lâmina. Por exemplo, quando pegamos uma faca pelo cabo, há uma certa distância entre o dedo indicador e o início da parte cortante da faca. Quanto maior for esta distância, menor a influência do usuário sobre a ponta da lâmina e menor será também a aresta de corte da lâmina.

Faca com ricasso de 3,8mm, desenvolvida pelo cuteleiro LGustavo Custom Knives

Portanto, ricassos curtos fornecem ao usuário uma maior alavancagem e aumentam a aresta de corte, enquanto ricassos longos fornecem menos impulso e diminuem o comprimento da aresta de corte.

DESIGN DA PONTA

A ponta é a seção da faca utilizada para perfurar, portanto, quanto mais acentuada for a ponta da lâmina, mais fácil será concentrar a pressão sobre ela durante um impulso, mas é importante notar que quanto mais nítida/fina for essa ponta, mais frágil ela será.

Punhal com lâmina needle point, desenvolvido pela cutelaria Rei das Facas.

Um exemplo disso são alguns modelos de lâminas, como a Needle Point, que possui uma ponta com maior potencial de perfuração, mas que dependendo do esforço empregado ou da dureza do alvo,  quebraria a ponta com mais facilidade. Enquanto uma American Tanto Point, apesar de ter uma ponta menor, reduzindo seu potencial de perfuração, é mais robusta e suporta mais impacto.


Lâmina American Tanto Point desenvolvida pela cutelaria Survival Knife Experts

Como você pôde perceber, há muito a ser considerado ao escolher o design de suas facas, porque o formato e as características da lâmina trabalham em conjunto para otimizar o funcionamento de toda a faca.

Portanto, o principal truque para projetar suas facas artesanais é identificar quais das propriedades mencionadas acima são mais adequadas às suas necessidades específicas e, em seguida, escolher o formato, o tipo de afiação e os insumos mais apropriados a este propósito.

Faça seu projeto e aproveite para acessar a Loja do Cuteleiro e adquirir os materiais necessários para colocá-lo em prática.

Deixe um comentário